— Mãe, ontem meditando, tive uma visão que não gostei em nada.
— Por acaso, foram mulheres e crianças sendo levadas a cova de Bacco?
— Como sabe disso?
— Ainda não confia na minha percepção e de Gabrielle, Eve?
— Eve, ontem à noite, sua mãe e eu conversamos bastante sobre nossas vivências e ligamos alguns pontos. Xena decidiu ir até o descampado e chamou por Ares. Assim, conseguimos confirmar nossas suspeitas.
— Por Eli, o que vamos fazer?
— Calma. Todas somos estrategistas e guerreiras acima de tudo. Vamos avaliar o contexto quando chegarmos lá, só assim poderemos decidir o que é melhor.
— Temos ainda um dia de cavalgada; vamos montar acampamento nas matas que rodeiam a cova, assim teremos condições para pensar numa abordagem sem muitos danos. — Completou Gabrielle.
A marcha estava forçada e o sol não dava trégua. Pararam em uma ribeira para descansar os cavalos, beber água e comer; algo agitou entre os arbustos. Xena, Gabrielle e Eve se postaram em prontidão. Xena afastou os galhos com sua espada em riste. Uma carinha de criança surgiu coberta de lágrimas e muito assustada. Xena baixou a espada e Gabrielle se prontificou a frente da criança para acalmá-la.
— Não vamos te fazer mal; o que houve para você se esconder aqui?
Gabrielle pegava a menina pelo braço, trazendo-a para fora dos arbustos. A criança abraçou as pernas da barda, chorando convulsivamente.
— Levaram minha irmã, mataram meu pai e minha mãe e eu fugi…
As três guerreiras se entreolharam e seus semblantes se transformaram em um misto de compreensão e revolta.
— Venha até aqui, temos algo para você comer enquanto nos conta o que aconteceu. — Gabrielle falava, trazendo a menina agarrada a si. Xena e Eve se sentaram, deixando que ela se encarregasse da menina.
Depois que a criança comeu um pedaço de queijo e pão que Gabrielle lhe deu, a barda afagou sua cabeça carinhosamente e perguntou:
— O que aconteceu com a sua família?
A menina baixou a cabeça tristemente. Gabrielle a abraçou.
— Está tudo bem se não quiser falar para não se lembrar, mas poderemos, pelo menos, ajudar sua irmã se nos contar algo. — Gabrielle amparava a menina em seus braços com cuidado. Xena a observou, embevecida, ao passo que pensava:
“Como ela pode ter e emanar tanto amor?”
— Minha aldeia é mais ou menos uma marca de caminhada daqui. Estávamos na hora dos afazeres da manhã. Minha mãe estava do lado de fora da casa, debulhando o trigo para fazer farinha e meu pai estava na plantação. Minha irmã e eu estávamos dentro de casa para adiantar o almoço quando ouvimos gritos e sons de cavalo do lado de fora. Minha irmã me mandou sair pela porta dos fundos e fugir, pois ela achava que eram senhores da guerra invadindo a aldeia e ela ficaria para ajudar minha mãe a fugir também. — A garota tomou ar, pois falava às pressas. — Mas eu fiquei com medo e fui ao celeiro para me esconder. Sempre que queria me esconder de minha irmã, eu subia as escadas para o estrado da parte alta e ficava quietinha na junção de um mourão do telhado com a parede e me cobria de feno, ela nunca me descobriu, assim que achei que poderia me esconder ali. Só que fiquei olhando pelas frestas e vi tudo que aconteceu. Eles estavam matando todos os homens e mulheres mais velhos e estavam prendendo as moças e as crianças. Vi quando mataram meu pai e minha mãe e também vi minha irmã sendo presa. Um homem entrou no celeiro, eu quase morri de medo, mas não me mexi. Então ele vasculhou tudo, mas fiquei quietinha, então ele foi embora sem me encontrar.
A menina chorava copiosamente.
— Shii, não fique assim. Nós ajudaremos a trazer sua irmã de volta. — Gabrielle a confortava.
— Vocês vão fazer isso mesmo?
— Nós tentaremos.
Gabrielle olhava para Xena de um jeito dolorido e triste.
“Passarão anos e Gabrielle nunca aceitará que existe o mal apenas pelo mal.”
Xena se aproximou e sentou ao lado das duas.
— Qual seu nome, pequena?
— Abnara.
— Pois bem, Abnara, você tem algum parente em algum lugar ao sul daqui?
— Sim, uma tia minha mora em uma aldeia perto de Agia, mas não creio que eles tenham poupado essa aldeia também.
— Pouparam, sim, pequena. Se é a aldeia que estou pensando, nós passamos por ela há algumas marcas.
— Xena, não temos como levá-la e chegarmos a tempo de montar alguma estratégia para o assalto.
— Não vamos levá-la. Eu irei levá-la e vocês seguirão, alcanço vocês assim que a deixar segura.
— Não conseguirá chegar a tempo, mãe. Nós estamos imprimindo um ritmo muito forte na cavalgada.
— Deixe isso comigo, Eve. Só quero que vocês acampem nas matas antes da floresta de Bacco. Lá há uma cachoeira e um lago. Estarão um pouco distantes e não perceberão a chegada de vocês. Devem chegar ao entardecer e não terão muito que fazer mesmo; eu chegarei pelo meio da noite.
— Xena, eu não gosto nada de ver você andando sozinha por aí. — Gabrielle estava aflita.
— Não se preocupe tanto, Gabrielle, eles estão procurando aldeias pelas cercanias para não perderem tempo. Não irão muito distante do que a aldeia de Abnara. Possivelmente, vocês terão que tomar mais cuidado do que eu.
Xena puxou Argo, pegou a pequena Abnara nos braços e colocou-a na sela antes de montar. Olhou para Gabrielle com muito amor e virou-se para Eve.
— Tome conta dela, além de você, ela é meu bem mais precioso.
— Pode deixar comigo, mãe.
— Ei! Eu continuo aqui. E que eu saiba, ainda posso me defender. — Gabrielle falou num tom de indignação, mas sentindo enorme alegria na alma.
Xena elevou uma de suas sobrancelhas, mas havia em seu rosto um pequeno sorriso. Virou para o sul e começou a cavalgar em direção de Agia.
Gabrielle balançou a cabeça pensando que sua guerreira nunca mudaria, no entanto, essa forma de Xena agir sempre fora o que mais a atraiu nela. “Tá certo, não é só isso que me atrai nela. Acho que é tudo” — Pensou e sorriu.
— Vamos, Eve, é melhor chegarmos cedo e montarmos acampamento. Amanhã teremos que despender muita energia e, talvez, possamos descansar um pouco antes de Xena chegar, assim ela poderá comer e dormir enquanto nos revezamos na vigilância do acampamento.
As duas guerreiras montaram e galoparam em direção ao norte.
Duas marcas depois, xena chegava à aldeia em que a tia da menina vivia. Assim que chegaram foram recepcionadas com vários aldeões cercando-as com foices e ferramentas de plantio. Xena percebeu que eles reagiam as suas vestimentas de guerreira. Apeou calmamente e retirou a menina da sela.
— Não queremos confusão, moça. Sabemos que invadiram algumas aldeias ao norte. — Falava um dos aldeões, colocando a foice no peito de Xena, que em um único movimento, retirou a foice das mãos do homem e apontou para ele.
— Se não quer confusão, então não aponte essa coisa para qualquer um que chegar. — Xena virou novamente o cabo da foice, entregando-a ao aldeão. Este o pegou com receio.
— Estou procurando a tia dessa menina. — Xena virou-se para a criança — Como se chama sua tia?
— Lâseja. — falou Abnara, segurando com sua pequena mão da guerreira, demostrando assim aos aldeões que estava segura. Xena sorriu com a atitude da menina. “Muito esperta”. — Pensou.
Uma mulher saiu de trás dos homens da aldeia.
— Ela é minha sobrinha, filha de meu irmão.
A garota soltou a mão de Xena e correu em direção da tia, sendo abraçada por esta.
— O que aconteceu, Abnara? — A menina começou a chorar e entre lágrimas contou que sua aldeia havia sido invadida e que fugira sendo resgatada por Xena, sua amiga Gabrielle e outra moça.
Um dos aldeões mais velhos se aproximou em fúria se dirigindo a Xena.
— Quem é você, mentirosa? A boa princesa guerreira foi morta há vários anos nas terras do extremo oriente!
“A boa princesa guerreira! Ummh, gostei disso.”
Xena se aproximou do velho aldeão com calma para não assustá-lo.
— Escute, eu não posso perder tempo agora para explicar meu sumiço, durante todo esse tempo. Realmente, há muitos anos, tive um grande contratempo nas terras do sol nascente, mas eu estou aqui e vim para tentar evitar que o mesmo mal que causou meu sumiço retorne para assolar as terras gregas. Talvez isso sirva para convencê-los.
Xena retirou o seu chakran da cintura e o arremessou em direção ao sino de um templo. Este ricocheteou e foi em direção a uma pedra até retornar para as mãos da guerreira que o pegou sem nenhum esforço.
— Só há duas guerreiras que podem arremessar um chakran, a Grande Guerreira Barda de Potedia e a Princesa Guerreira. Então, você é mesmo Xena?
Nos pensamentos que circundavam a cabeça de Xena, ela não cansava de se surpreender, estava maravilhada. “Então se lembram de Xena como alguém do bem e não de sua época de maldade e escuridão. Eu consegui finalmente minha redenção.”
— Sim, sou eu mesma. Ouçam, não acho que as pessoas que invadiram a aldeia de Abnara retornem o caminho para invadir aldeias mais ao sul. Estão se dirigindo para o norte. No entanto, quero que façam correr o fato para as aldeias próximas e que se escondam em algum lugar seguro até que eu, Gabrielle e Eve, possamos resolver essa situação.
— Gabrielle, a guerreira poetisa e Eve, a mensageira de Eli?
— Elas mesmas.
O aldeão mais velho se aproximou de Xena e falou alto para que todos ouvissem.
— Vocês escutaram Xena, vamos mandar alguns dos nossos avisar as aldeias próximas. — Olhou diretamente para Xena. — Obrigado, Princesa Guerreira, faremos como pediu e que Eli esteja com você. Espero que Eli a conserve conosco por muito tempo. — Estendeu a mão para cumprimentar Xena. Esta segurou a mão do velho aldeão e se permitiu, pela primeira vez, ser agraciada com a gratidão dos aldeões, sem sentir nenhuma culpa.Sentiu sua alma livre do peso do mal que causou nos anos de escuridão.
— Pode ter certeza que ele estará comigo.
Xena montou Argo e começou a cavalgar em direção ao norte, trazendo consigo uma grande felicidade e um sentimento de plenitude que lhe dava mais força para sua tarefa.
Quatro marcas após o entardecer, ela se aproximava do acampamento que Gabrielle e Eve haviam montado. Já havia apeado e caminhava ao lado de sua égua, quando parou de chofre.
— O que quer agora, Ares?
— Continua atenta, Xena. Essa é minha garota!
— Não sou sua garota, Ares. — falou enfática — Bom, não adianta discutir com você mesmo. — Virou de costas, caminhando sem dar muita importância.
— Está tão resignada assim que nem mais energia para discutir comigo você tem?
— Energia eu tenho, Ares. Só não existe a necessidade de gastá-la com você, tenho muitas outras coisas importantes que posso fazer para gastá-la.
— Você tem me tratado muito mal, mesmo sabendo que estou ao seu lado.
— Ares, você está sempre do seu lado, nunca ao lado de alguém. Aprendi isso com anos de convivência. Você me ajudar, só consiste no fato de que você vai ganhar com isso. Você não quer seu irmãozinho disputando seu trono e, de quebra, ainda ver uma batalha sangrenta para apaziguar sua fome.
— Que seja. Mas dessa vez estamos do mesmo lado e isso muito me estimula. — Soltou Ares com uma enorme gargalhada. — Não está apreensiva com o fato de “pessoas inocentes”, como você mesma diz, serem mortas?
— Infelizmente, não tenho ingerência sobre isso. Também aprendi que devo fazer o que devo e não posso me culpar pelo que os outros fazem. Esse é um caminho que eles devem trilhar, o meu eu já tracei.
— Está muito segura, mas não acredito que a nova Xena não se incomode. A velha Xena não se incomodaria, mas a nova…
— Lembre-se que morri algumas vezes e que isso traz certo conhecimento, Ares. O que posso fazer eu faço, o que não… Mas você é imortal ou quase. — Xena esboçou um sorriso no canto dos lábios se referindo a duas épocas que Ares perdeu sua imortalidade, sendo ajudado por Xena para recuperá-la. — Não pode compreender o que é passar para a vida etérea sendo mortal.
Ares se irritou com a indireta de Xena. Queria buscar nela um pouco da ira de outrora e ela só fez ignorá-lo.
— Então, vamos só esperar para ver em que isso tudo vai dar. — Disse ele, desaparecendo.
Xena balançou a cabeça, sorrindo mais uma vez.
— Ele não a deixa, não?!
— Gabrielle! Há quanto tempo estava aí?
— Tempo suficiente para escutar toda a conversa. Eu estava esperando-a e sondando a área quando a vi se aproximar e Ares aparecer. Não queria atrapalhar, pois queria escutar o que ele tinha a dizer.
— Você está boa mesmo, Gabrielle. Cada vez me surpreende mais. — Dizendo isso, Xena se aproximou e depositou um terno beijo nos lábios de sua barda. Gabrielle sorriu, olhando em seus olhos e a abraçou fortemente.
— Estou tão feliz que esteja comigo!
— E eu mais ainda. Vamos para o acampamento, que estou morta de fome. E assim poderei contar como tudo ocorreu na aldeia. Eu estou muito feliz em estar de volta, Gabrielle.
Chegaram ao acampamento sem fazer barulho, pois Eve dormia próxima da fogueira. Gabrielle colocou um peixe assado em um prato de madeira para Xena. E alguns legumes que havia cozido com manteiga de ervas.
— Umhh! Isso aqui tá melhor que ambrosia!
— Paramos em uma vila antes de chegarmos. — Gabrielle baixou o olhar e Xena parou a colher a meio caminho da boca.
— Que foi, Gabrielle? Não, me deixe adivinhar. A aldeia estava devastada!
— É. Muitas pessoas mais velhas mortas. Não tinham crianças, levaram todas e a maioria meninas…
Um bolo se formou no estômago de Xena.
— Algumas pessoas sobreviveram, pois se esconderam. Um mercador nos ofereceu esses legumes, eu quis recusar, mas… Ele me reconheceu e disse que se eu estava ali era porque vinha ajudar. Não queria que nossa chegada estivesse previamente anunciada, mas não teve jeito. Acho que estamos em desvantagem, Xena. Já sabem que estamos por perto.
Xena colocou o prato de lado, se sentou junto de Gabrielle e pousou a mão nos seus ombros. Ela ainda se encontrava de cabeça baixa.
— Gabrielle, te reconhecerem dessa forma é uma coisa muito boa. Sabem em quem depositar alguma esperança. E depois, eu não esperava que fosse diferente. Se existem deuses olhando por nós, também tem sombras olhando por eles. Acha que realmente chegaríamos sem serem avisados? — Gabrielle lançou um olhar de compreensão para Xena.
“Ela tem razão”. — Pensou Gabrielle. — “Que ingênua eu fui! Lidei tanto tempo apenas com humanos, senhores da guerra, que esqueci como era lidar com forças do oculto. Afinal de contas, então, Xena continua a me ensinar. Que grata surpresa”!
Gabrielle sorriu e abraçou Xena carinhosamente. Por sua vez, a guerreira enlaçou a barda pela cintura e colocou seu queixo sobre a cabeça dela. Ficaram assim por alguns minutos com seus próprios pensamentos. Gabrielle se desvencilhou de Xena e disse para ela voltar a comer.
— Após você acabar de comer, vamos tomar um banho no lago. Dormiremos melhor e amanhã estaremos mais dispostas. Combinei com Eve dela fazer o outro turno de vigília, assim que você dorme, eu fico acordada até a marca do meio da noite e depois Eve assume.
— Eu posso revezar também, Gabrielle.
— Você cavalgou muito e nós estamos mais descansadas, chegamos cedo aqui. Não há necessidade de alguém ficar mais desgastada. — Gabrielle falou enfaticamente e Xena apenas assentiu.
— Bom, vamos tomar um banho então, estou suada e fedendo.
Gabrielle pegou panos no alforje, para se secarem, enquanto Xena se despia próxima à margem do lago. Gabrielle começou a olhá-la e um frio circundou seu ventre. “Deuses! Como não me permiti sentir isso durante tanto tempo”?!
Caminhou devagar até a margem. Xena já se encontrava na água e a observava chegar. Contemplou seu andar suave e calmo, percebeu as nuances do corpo de sua pequena barda e isso começou a excitá-la. Parecia que Gabrielle lia seus pensamentos, pois a pequena barda começou a se despir lentamente com o que parecia a Xena, um pequeno sorriso no rosto, mas pela escuridão e por Gabrielle estar com a cabeça pendendo ligeiramente de lado e olhando para baixo não pôde ter certeza. Sorriu por seus pensamentos lascivos. Queria mais uma vez Gabrielle aquela noite, não desejava desperdiçar um segundo sequer do pouco tempo que restava para a investida. Amava aquela pequena criatura e nunca mais deixaria que nada se interpusesse entre elas.
Gabrielle entrou na água e seu corpo parecia pegar fogo com os olhares de Xena, nem a água fresca abrandava o calor que sentia. Ela se jogou nos braços de Xena, procurando sua boca avidamente. Colou seus lábios nos da guerreira e forçou a entrada de sua língua, invadindo a boca com fome e desespero. Xena a recebeu com um gemido de um prazer que nunca sentira por ninguém. Ataram seus corpos no que parecia não existir espaço nem para respirarem.
A água as cingia e dava uma sensação de aconchego e carícia ao mesmo tempo. Os sentidos se aguçaram, seus corpos enlaçados movimentavam em uma dança erótica e sensual. Xena libertou-se do beijo envolvente de Gabrielle e abocanhou um seio vorazmente. Nada era singelo, era feroz e voraz. — Gabrielle gemeu alto.
Gabrielle pegou uma das mãos de Xena e colocou em seu sexo e depois, colocou a sua no sexo de Xena, entrando de forma selvagem. Apossou-se do lóbulo de uma orelha e disse:
— Entra em mim, Xena. Me devora! — disse, ao mesmo tempo em que movimentava seus dedos dentro da guerreira. Xena foi à loucura, cada vez que faziam amor era uma grande e gostosa surpresa.
Xena arremeteu forte seus dedos no interior de Gabrielle, mesmo na água, a sentia lubrificada e aberta para seu amor.
— Ahh! Gabrielle, você me enlouquece! — A voz era rouca e entrecortada por gemidos.
— Mais rápido, Xena! — Enquanto pedia, aumentava também o ritmo de seus dedos, deixando Xena quase no auge.
— Goza comigo, Gabrielle… Agora! AAAHHH!
— UHHH! Xena… Xena… UHHH!
Com os corpos exaustos, mas ainda abraçadas, as duas guerreiras deixaram-se flutuar.
Olharam-se sob o reflexo da luz da lua. Beijaram-se carinhosamente.
— Te amo, Xena. Te amo muito!
— Gabrielle, os deuses sabem o quão grande é meu amor. Nunca mais quero me privar de ver seus olhos e enxergar minha alma através deles, pois eu sei que estou em você e, se você quiser ver a sua alma, olhe dentro dos meus olhos, pois você está em mim.
Uma lágrima de felicidade deslizava sobre o rosto de Gabrielle, fitou Xena com olhar alegre.
— E eu que sou a barda. — disse risonha. Xena enrubesceu. — Não fique assim, “Grande Envergonhada Guerreira”, você não sabe o quanto essas palavras me deixam feliz.
— Não estou envergonhada! — Xena falava indignada, porém enrubescia mais.
— HaHaHa! Tô vendo que não. — Ainda enlaçada no pescoço de Xena, Gabrielle sapecou um beijo furtivo em seus lábios.
— Agora você me enfureceu!
Xena mergulhou com Gabrielle, soltando-a logo em seguida para começar uma guerra de água.
As duas guerreiras saíram rindo da água para se enxugarem e irem dormir. Já passava uma marca da metade da noite, mas estavam relaxadas e felizes.
— Vamos acordar, Eve.
— Nem precisa, mãe, com vocês duas se divertindo, quem consegue dormir?
As duas guerreiras se olharam constrangidas.
— Desculpe, Eve. Não achávamos que estivéssemos fazendo tanto barulho.
— Não se preocupe, mãe. Depois da casa de Hércules, essa até que foi bem rápida! — Eve falava com um sorriso jocoso nos lábios.
— O quê? Você nos escutou na casa de Hércules?
— Gabrielle — Eve colocou as mãos na cintura. — O vale inteiro deve ter escutado. Eu acho que vocês perdem um pouco a noção quando… — Eve balançou o dedo indicador de uma para a outra guerreira — … Estão juntas, não?
— Deuses!!!
— Não são deuses, Gabrielle. São vocês duas mesmo. Ha ha ha — Rindo, Eve se afastou do acampamento, para sua vigília.
Em silêncio, Xena acomodou suas mantas ao lado de Gabrielle e de repente começou a gargalhar.
— Do que você está rindo, Xena? Não tô achando muita graça nisso.
— Ora, Gabrielle, só estou imaginando como foi a noite do pobre Hércules nos ouvindo. Deve ter sido um grande tormento e, pensando bem, ele tava com enormes olheiras quando nós fomos embora… Ha ha ha ha.
Gabrielle atirou a manta que estava em sua mão em Xena e começou a rir também.
— Vamos dormir, Xena, já está tarde.
XGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXG
— Olhem! São muitas crianças e muitas meninas!
— Eu sabia que a situação não seria das melhores, Gabrielle. Nós temos que ver uma forma de entrar sem sermos notadas.
— Eu vou sondar a parte alta da cova, mãe. Talvez tenha alguma abertura por trás que poderemos explorar.
— Vá, mas tome cuidado. Quero conversar com vocês antes de nos adiantarmos. Temos que planejar muito bem a forma de atacar.
— Pode deixar, eu encontro vocês daqui a duas marcas no acampamento.
Xena e Gabrielle ficaram espreitando a abertura da cova, quando Gabrielle divisou duas pequenas figuras.
— Xena, olhe! — Gabrielle apontou pondo a outra mão na boca em horror.
— Malditos! — Xena maldizia nervosa e enraivecida.
As lágrimas rolavam pelo rosto de Gabrielle sem que ela conseguisse contê-las. Xena abraçou a barda.
— Gabrielle, agora mais do que nunca, temos que ficar calmas e pensar com racionalidade. Se eles pegaram minha neta e sua sobrinha, é porque sabem que podemos enfrentá-los e vencê-los. Por favor, não podemos nos desesperar…
— Xena, se elas estão aqui…
— Atacaram o rancho.
— Minha irmã, Xena. Virgil… Minha sobrinha… Abdias…
— Eu sei… Eu sei… — Xena estreitou mais Gabrielle em seus braços. — Gabrielle, se Eve ver que sua filha está lá dentro, não sei se vou conseguir contê-la. Você terá que me ajudar. Não podemos perder a cabeça agora. Já estamos muito perto.
Gabrielle enxugou as lágrimas. Sentia-se ridícula. Depois de tantos anos sem Xena, lutando como uma verdadeira guerreira, calculava seus movimentos, criava estratégias, mas, ao lado dela, permitia-se sentir frágil, como outrora.
— Me desesperei, Xena. Mas você tem razão, me desculpe. — Olhou para Xena com o rosto impassível.
Xena a observou e viu constrangimento em seus olhos.
— Que é isso, Gabrielle? Você não precisa se ocultar para mim. Sabe que o que eu mais amo em você é essa capacidade de sentir sem receios. Eu amo a forma como você ama a mais simples coisa, sem se preocupar em se sentir fraca ou frágil. Você nunca precisou disso e isso te faz especial! Agora, sei que você pode lutar como uma leoa para defender o que ama e sei que eu deixaria minha vida em suas mãos, sem me preocupar.
Enquanto falava, Xena abraçava Gabrielle e sentia uma energia que a edificava e sentia a vontade de mil guerreiros.
— Você e minha família, eu amaria incondicionalmente. Mas todas essas pessoas que são desconhecidas a mim e a vida na sua mais pura essência, quem me ensinou a amar e respeitar foi você. Nunca se envergonhe disso, Gabrielle, porque hoje, mais do que nunca, eu me orgulho de ter aprendido isso com você.
Gabrielle a encarou, mais uma vez, com os olhos cheios d’água.
— Sabe, Xena, eu me acostumei a ser dura. Um pilar para quem me conhecia. Uma segurança para quem precisava de mim, mas, no fundo, eu estava vazia. Bem, no fundo, algo me faltava e não me importava se eu morresse ou se eu estava fazendo da forma correta. Simplesmente, me focava e seguia, então sempre tomava decisões para vencer, assegurar que o que estivesse fazendo saísse da forma desejada por mim. Mas agora, sinto que não sou só, que tenho algo novamente pelo que lutar e isso me assusta…
— Pois agora, você vai lutar com mais afinco e vai sentir quando vencer, que foi o correto a fazer, pois não está só, assim como eu.
Xena sorriu e Gabrielle inspirou fundo em seus braços descansando em seu peito.
— Muito bem. O que vai ser agora? — Gabrielle falava olhando para o rosto de Xena.
— Mãe! — Eve chegava esbaforida — Minha filha… Gabi! Elas… Elas… estão entre os reféns! Vou matar todos! Vou tirá-las de lá!
— Eve. Eve! — Xena falava com energia. — Vamos matar quem precisar ser morto e nada mais. Vamos tirá-las de lá, mas acalme-se! Nós já sabemos e temos um plano.
Eve estancou de súbito, olhando para Xena e Gabrielle.
Olá, Bi!
espero que tenha melhorado das crises de respiração ou que as coisas estejam melhores
Li os capítulos postados, amei!!! Muito bom relembrar de X&G. Vc captou a essência das duas como sempre! sem exagerar…e seria assim que Gabi ficaria. Ela ser tornou uma grande guerreira, muito antes de Xena morrer….Xena ainda n se acostumava com sua independência pra se proteger….sempre protetora.
Vamos ver no que vai dar…
Só deu pra ler agora…. resolvi deixar um comentário pra n ficar MT massante.
Beijosss.
Oi, Lailicha!
Que saudades, menina!
Espero que esteja tudo bem contigo. Eu melhorei sim, mas a vida está meio turbulenta, por isso tenho atrasado as postagens. Vou tentar organizar melhor para postar com a frequência em que postava antes.
Um beijão amiga!
Que tudo fique bem e na paz pra vc Carol!
Obrigada por mais um capítulo
Oi, Blackrose!
Obrigada pelo incentivo e e carinho de sempre!
Entrou mais um capítulo e espero que goste
Beijos!